Strategy
08-09-2025
Antonio Vázquez
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Unilever vai separar seu negócio de sorvetes, o que isto tem a ver com nosso momento no mercado privado da saúde?

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Unilever vai separar seu negócio de sorvetes, o que isto tem a ver com nosso momento no mercado privado da saúde?

Venho refletindo sobre um tema que quando surgiu me pareceu fazer sentido, mas que hoje me parece ambíguo. Ecossistemas de Saúde.
Olhando de maneira retrospectiva para o mercado privado da saúde, tínhamos jornadas claramente definidas. Hospitais sendo hospitais, laboratórios sendo laboratórios, serviços de diagnóstico por imagem sendo serviços de imagem, clínicas de especialidades sendo clínicas e operadoras de saúde sendo operadoras, para ilustrar os principais.
A leitura do artigo do Carlos Lobbé, FALÊNCIA DO SISTEMA DE SAUDE NA ÓTICA DO MERCADO GASTRONÔMICO, extremamente perspicaz aliás, me trouxe de imediato a associação com o artigo do Murilo Moreno, Divorcio da Década, onde trata da separação do negócio de sorvetes por parte da Unilever.
Vou trazer aqui dois trechos do artigo do Murilo Moreno para ilustrar meu raciocínio:
..."O futuro vai ser melhor separados". "Sozinha, ela vai ser livre para crescer". "Ela tem um jeito muito diferente de ser". Parecem todas frases de pessoas que estão se divorciando. São, na verdade, palavras do comunicado da hashtag#Unilever explicando porque resolveu se desfazer do seu negócios de sorvetes.
Olhando de fora, todos os números mostram que o negócio não era bom pra Unilever. Enquanto todos os demais produtos podem ser transportados em caminhões normais e expostos em gôndolas, os picolés e sorvetes precisam de transporte refrigerado e geladeiras no ponto de vendas. Impossível fazer sinergia. Ano passado, todas as demais divisões deram lucro acima de 17%. As Kibons e Benny&Jerrys de todo o mundo ficaram abaixo de 11%. As vendas totais dos gelados atingiu 8 bilhões de dólares. Nas demais, o menor número passou de 12 bi. Menos venda e menos lucro? Bota pra fora, que a área levou bomba e vai ter que repetir de ano noutra escola...”

O ponto é, quantos sorvetes não acabaram sendo criados pelos Ecossistemas de Saúde?
Particularmente gosto do conceito de uma jornada completa e complementar dentro do sistema de saúde privada. Mas o quanto os Ecossistemas foram criados para diminuir a complexidade da jornada, trazendo assertividade e uso racional dos recursos, ou o quanto eles são consequência da pressão dos investidores ou mercado, chamem como quiserem, por resultados melhores e maiores.
Não sou contrário a buscar resultados melhores e maiores, ao contrário. Mas o quanto um sistema altamente judicializado, fragilizado financeiramente, que sempre questionou modelos de pagamento está preparado para ser um Ecossistema?
E aí vem outra pergunta, quanto desta crise no segmento que está se agravando a cada dia, com empresas altamente alavancadas, com o segmento de forma geral enfrentando dificuldades com os custos e o prolongamento dos prazos de pagamento, não são consequências dos sorvetes do Ecossistema?
Será que todas as sinergias previstas e idealizadas fazem sentido?
Acredito que vale pensar a respeito.

Consultoria especializada para o futuro da saúde