Strategy
08-09-2025
Antonio Vázquez
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Genialidade não garante sabedoria

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Genialidade não garante sabedoria

Fui provocado por esta frase ao assistir o instigante filme “Oppenheimer”. Ela parece soar óbvio. Será? Penso que sim; por vezes em nossas melhores versões, associamos uma coisa à outra e entre o vai e vem de momentos e pessoas comprometidos pela avalanche algorítmica, tropeçamos em questões que nos cobram atividades reflexivas e que balançam as nossas crenças.

Pela lente da minha experiência no ambiente de Gestão de Saúde, tenho a sensação de que a Genialidade tem maior expressividade que a Sabedoria, da mesma forma, percebo que uma parte muito pequena dos gestores consegue apresentar as duas características ao mesmo tempo, motivo pelo qual me sinto provocado a escrever este artigo.

O parâmetro de observância destas percepções, parte da premissa de que os responsáveis pelas tomadas de decisões, na maioria das vezes pressionados pela entrega de resultados, tendem a buscar quase sempre supostas soluções e/ou ideias geniais. Quase sempre, porque alguns poucos, se propõe a pensar e agir para além do fisiologismo e daí sim, construir soluções realmente viáveis, com resultados satisfatórios e diferenciados.

Estes precedentes abrem espaço para uma questão que entendo como importante: Será que o mercado de saúde não necessita de mais sabedoria do que genialidade? Porque observamos o continuísmo de operadoras com altos índices de sinistralidade, com prestadores tendo dificuldades em obter reajustes compatíveis com a inflação médica, com fornecedores enfrentando negociações mais duras e com uma parcela importante dos profissionais apresentando sinais de sobrecarga causados pelos pacotes de remunerações defasados.

Muitos destes cenários são atribuídos também a pandemiada Covid 19. Sim, a pandemia nos exigiu reflexões sobre o todo, mas qual é o executivo que não continua permanentemente pressionado pelo resultado? Seja porque não o alcançou ou até mesmo, por que o superou? Quando as operadoras tiveram um cenário de sinistralidade adequado? Quantos prestadores deixam de reclamar do modelo de remuneração e buscam com convicção uma possível eficiência operacional? E ainda, quantos colaboradores estariam satisfeitos com suas remunerações? Com certeza isto gera índices de insatisfações elevados.

A sensação que vem de longo prazo, é de que volta e meia aparecem gênios propostos a revolucionar o Mercado de Saúde, mas será que não está na hora de dar mais espaço aos sábios, para daí sim, a partir dos erros e dos fracassos, estimularem a construção de soluções mais assertivas e mais efetivas?

Ahhh! Para finalizar e ajustar a resposta a provocação criada pela frase do filme, creio que praticamente todos estamos sujeitos ao pressuposto da genialidade, mas atualmente parece fazer mais sentido, que está mais do que na hora de explorarmos melhor nossas jornadas, direcionando-as ao caminho da sabedoria.

O que acham?

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